Classe média odiada, e aí?

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Conceitualmente, classe média é uma classe social presente no capitalismo moderno que se convencionou tratar como possuidora dum poder aquisitivo e dum padrão de vida e de consumo razoáveis, de forma a não apenas suprir suas necessidades de sobrevivência como também a permitir-se formas variadas de lazer e cultura, embora sem chegar aos padrões de consumo exagerados das classes superiores.

 

Todavia, essa classe admite subdivisões. De fato, pode ser dividida em dois ou três subgrupos. Quando dividida em duas, a classe média baixa, às vezes somente referida como a “classe média”, consiste em 1/3 da população – parte dela detentora de imóveis, a superar (em dobro) a chamada classe média alta, segundo números estatísticos.

 

No seio dela, os cargos mais comuns são semiprofissionais, tais como professores escolares ou contadores, pequenos empresários e artesãos hábeis. Estes indivíduos têm, em comum, algum grau de educação em nível acadêmico ou, então, grau de bacharel (comum, por exemplo, em cursos acadêmicos de Direito), ganhando o suficiente para uma vida razoável.

 

Constituindo-se na classe social mais larga, “afronta” apenas o proletariado (em última instância, o conjunto de trabalhadores que necessitam vender sua força-de-trabalho a um empresário capitalista). E, indiscutivelmente, a classe média baixa está aumentando – sem deixarmos de atentar para o dado estatístico de que a classe média dita “tradicional” (meio termo entre a alta e a baixa) inda consiste em cerca de quarenta e cinco por cento (45%) das pessoas.

 

Dito isto, fixemo-nos na premissa, mais que verdadeira, que o “lulopetismo” chegou ao Poder em razão, fundamentalmente, dos votos da classe média (sobretudo, da tradicional e da baixa). Deveras, inequívoco que esse aporte eleitoral influenciou a classe mais baixa – a do “povão” –, resultando na dupla eleição de Lula e na da sucessora Dilma Rousseff.

 

Apesar disso, dessa realidade histórica, em debate sobre os dez (10) anos do governo petista, do que dá conta vídeo disseminado nas mídias sociais, Marilena Chauí, autêntica representante e adepta do “lulopetismo”, na condição de “filósofa” (intelectual, pois) e seguidora de Lula, em discurso inflamado, bradou aos quatro ventos odiar a classe média. Pior: fê-lo de forma odienta, além de quaisquer limites aceitáveis.

 

Superando-se, a intelectual petista desandou a dizer que a classe média é atraso de vida, é estupidez, é do que há de mais reacionário, conservador, ignorante, petulante, arrogante, terrorista. Não fosse isso tudo, inda veio mais, muito mais…

 

Com todas as letras, afiançou ser a classe média uma abominação política, porque fascista, uma abominação ética, porque violenta, e uma abominação cognitiva, porque ignorante.

 

E tudo isso, pasmem, sob gargalhadas do guru Lula, que, ao final, como os demais, aplaudiu-a pressurosa e prazeirosamente. Esse pequeno ato, dá a exata dimensão e significação do grande desdém (desprezo) para com a chamada classe média – composta por boa parte de todos nós.

 

O fato é muito, muito grave! Quem viu ou vier a ver o vídeo verá, sem titubeio ou dúvida, do nível daqueles que, hoje atrelados ao Poder, transformam a população brasileira em alvo de chacota, inclusive, a zombar de imenso eleitorado do próprio Lula – ao menos, até aqui.

 

Preciso se diga, pois, depois de tantos anos passados da ditadura de 1964, que se criou a ideia de que a esquerda é tudo de bom, e coisas que tais. Porém os fatos não no-lo demonstram. Em regra, qualquer esquerda, não só a brasileira, é um buraco sem volta, sistema falido no qual se destacam exemplos como Fidel Castro, socializador da miséria. Todavia, no fundo, todo mundo quer é igualdade na riqueza, no que haja de melhor e mais cômodo. De se convir, sentimento natural ao ser humano.

 

Assim, o palavrório eternizado no vídeo foi um “tiro no pé” do PT. Ao invés de beneficiá-lo, prejudicou-o, na medida em que escancarou uma realidade comumente desconhecida do povo – a de que, nos salões de festas do Poder, no regalo dos “companheiros”, o bufão e o burlesco, enfim, o bobo da corte é o próprio eleitorado, tido e visto, também pelos intelectuais a serviço do Partido, como simples massa de manobra de interesses inconfessáveis.

 

Será assim o agir de democratas? Será assim o verbo loquaz de quem respeita o entendimento contrário? Assim será a República dos nossos sonhos, permeada pela maledicência daqueles que se servem do nosso voto e desdenham de nossa posição social? Como será, enfim, o futuro que nos espera, seres integrantes duma classe média tão odiada e rebaixada pelos condutores de nossos destinos?

 

Que fique a reflexão, na disseminação dum vídeo oportuno, de incontáveis boas consequências para a opinião pública, ávida por saber com quem trata, quem a maltrata e, no sentido figurado, quais são as verdadeiras baratas…

 

 

Edison Vicentini Barroso – magistrado e cidadão brasileiro.

 

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