Depoimento liga filho de ex-ministro da Agricultura à suposta fraude

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21/12/2011 – 12h58

GABRIELA YAMADA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, DE RIBEIRÃO PRETO

O deputado estadual Baleia Rossi, presidente estadual do PMDB e aliado local da prefeita Dárcy Vera (PSD), foi citado ontem na CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) que apura suposta fraude na distribuição de casas populares em Ribeirão Preto.

Em depoimento, uma servidora pública aposentada, que pediu aos vereadores e à Folha para não ser identificada, afirmou que Baleia teve influência na transação comercial da qual participou.

De acordo com a mulher, Rossi estava presente quando ela pagou R$ 7.000 por um apartamento no conjunto habitacional Jardim João Rossi –nome do avô do deputado–, em janeiro de 2010.

O pagamento foi feito, segundo ela, a um corretor de imóveis, em frente a uma agência da Caixa Econômica Federal no centro. Junto com ele, estavam o deputado e uma mulher, que se identificou como funcionária da CDHU (companhia habitacional de SP) e cujo primeiro nome é Lívia, diz. “Ele [Baleia] me deu um abraço e disse que eu poderia ficar tranquila, que receberia o apartamento.”

A servidora afirmou ainda que Lívia relatou a ela que Baleia participou de outras 70 transações como essa.

Em nota, o deputado negou a acusação e a classificou como “absurda”. Filho do ex-ministro Wagner Rossi, afastado do governo de Dilma Rousseff após denúncias de irregularidades, Baleia preside o partido que comanda a Cohab-RP, onde surgiu a suspeita de fraude que originou a CPI.

Dárcy também foi apontada, em outro depoimento, como atuante na suposta fraude. A prefeita nega.

PROMESSA

Segundo a aposentada, a promessa era que ela receberia o apartamento até fevereiro de 2010, o que não ocorreu.

Ela disse que confiou no negócio porque o mesmo corretor já havia vendido outras casas para parentes suas que receberam os imóveis.

Procurado depois do depoimento, Milton Vieira de Souza Leite, gerente regional da CDHU, disse que não há nenhuma funcionária chamada Lívia na companhia.

Walter Gomes (PR), presidente da CPI, perguntou se a servidora aceitaria fazer acareação com o deputado. “Falo na frente de quem for. Não tenho medo”, disse ela, que registrou depois um boletim de ocorrência na Polícia Civil.

O peemedebista Samuel Zanferdini, também membro da comissão, disse que o depoimento é “estranho”. “Não consigo conceber que um deputado vá receber dinheiro pessoalmente”, afirmou.

OUTRO LADO

Em nota enviada por sua assessoria, o deputado estadual Baleia Rossi (PMDB) afirmou que as acusações são absurdas e desprovidas de qualquer fundamento ou lógica.

Ele negou que esteve numa agência da Caixa Econômica Federal ou na CDHU nos últimos anos. E avaliou a acusação como tentativa de “grande armação política”.

Rossi afirmou ainda que determinou ao seu advogado que tome as medidas jurídicas cabíveis para que a mulher responda civil e criminalmente “pelas mentiras [que lhe foram] assacadas” (atribuídas sem fundamento).

“Tenho total confiança no discernimento da população e certeza de que a Justiça responsabilizará os detratores com as penas da lei.”

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