Coluna “Antonio Galvão”.

Autor: Nenhum comentário Compartilhe:

CRESCER POR CRESCER?

As duas matérias aqui postadas pelo jornalista e escritor Luiz Augusto Michelazzo tratam implicitamente de uma questão que hoje diz respeito muito de perto não só à pequena Altinópolis, mas – de uma maneira universal – a todas as cidades do nosso planeta: o crescimento sustentável. Se o problema é preocupante, no que se refere às cidades que estão se esvaziando (como observou o autor), ele se agrava muito mais quando acontece o oposto, ou seja, quando há o crescimento desenfreado, sem nenhum planejamento.

Comumente, o que temos nos dias atuais são centros urbanos que na verdade incharam pela atração de pessoas desiludidas em razão da falta de oportunidades nas regiões em que viviam. Neles convivem extremos sociais: uma pequena casta de ricos ao lado de inúmeros bolsões de miséria, as favelas. Ribeirão Preto é um significativo exemplo do que estou falando. Ela foi no passado considerada a “Califórnia brasileira” e isso serviu para despertar o interesse de um incomensurável contingente de cidadãos sem qualquer qualificação profissional, que acabaram na marginalidade. Ela é hoje uma cidade que cresceu muito e que paga alto preço por esse crescimento desordenado: seu sistema de saúde pública é cada vez mais deficiente, seu trânsito vai ficando a cada dia mais caótico, seu abastecimento de água à população apresenta deficiência crônica em várias regiões… E vai por aí afora.

Isto posto, vamos então para os dados levantados pelo Luiz Augusto em cima do último censo do IBGE. O registro é o de que a nossa cidade possui praticamente a mesma população de 10 anos atrás, contando com 3.792 pobres e cerca de 510 casas vazias.

Com respeito à população, é óbvio que houve aquele fenômeno natural da vida: gente que nasce, gente que morre; gente que se muda daqui, gente que vem para cá (como é o caso dele e o meu). Se a cidade não cresceu – em termos populacionais -, a meu ver, não é essencialmente a questão mais relevante. A questão mais relevante, e que deve merecer a especial atenção dos gestores da nossa cidade (prefeito, vereadores, empresários, etc) é aquela voltada para a sua situação atual se comparada a de uma década atrás – em termos econômico-sociais. E é justamente neste contexto que se inserem os dois outros dados: número de pobres e de casas vazias.

Mesmo não sendo completamente confiáveis as estatísticas, os números apresentados devem espelhar pelo menos um pouco da nossa realidade. Com relação ao índice de pobreza, na proporção do número de habitantes, embora não saibamos quais os critérios adotados na sua avaliação, ele chega ser bastante elevado. De qualquer forma, é um balizador importante para uma administração municipal voltada para a aplicação de políticas públicas que tenham um verdadeiro alcance social.

Já a existência em Altinópolis de 510 casas desocupadas, nos remete necessariamente ao tema levantado pelo jornalista e escritor quando trata da construção de novas COHABs. Na verdade, fica difícil entender que uma cidade que possua esse número de casas vazias pense em construir novas moradias estilo Cohab sem ter feito um levantamento no que tange às reais necessidades dos seus residentes. A questão é muito simples e se baseia nos seguintes princípios básicos: 1- a construção de casas populares (COHABs) se destina, exclusivamente, a moradores antigos ou nativos da própria cidade; 2- esses moradores antigos já estão residindo em casas, que serão desocupadas, aumentando ainda mais o elevado número de imóveis desocupados. Assim, dentro desta lógica – e desde que verdadeiros os dados do IBGE – a nossa cidade num futuro próximo, além de ser considerada uma cidade que estagnou, poderá também se tornar uma cidade com um recorde de moradias desabitadas se considerada a população.

Em resumo: crescer por crescer é uma coisa que em nada valoriza qualquer cidade. Ela tem que crescer, sim, de maneira planejada, buscando sempre os melhores caminhos e as alternativas válidas que sejam realmente sustentáveis. Isto quer dizer que cada município tem que pensar qual é a sua verdadeira vocação. Entendo que Altinópolis tem a sua: o turismo.

Só que ela precisa começar a “pensar grande”. Significa que precisa ver nas suas grutas, nas suas montanhas e nas suas cachoeiras o enorme potencial turístico com que ela foi agraciada pelo Criador. E usá-lo. Usá-lo bem, é claro. Criando estrutura para acolher dignamente os visitantes. Seria a base de tudo. Tudo de bom viria depois, normalmente.

Antonio Galvão

Artigo Anterior

A MAIS PURA VERDADE SOBRE O ESGOTO EM SANTO ANTÔNIO DA ALEGRIA.

Próximo Artigo

Sessão Plenária de amanha deve ser acompanhada por todos- Tem inescrupulosidade a vista.

Confira também

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *