Bassano Vaccarini

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Bassano Vaccarini (San Columbrano al Sambro Itália 1914 – Altinópolis SP 2002). Cenógrafo e figurinista. Artista plástico que integra a primeira geração de cenógrafos do Teatro Brasileiro de Comédia, responsável por criações inspiradas e minuciosamente acabadas do ponto de vista técnico.

Chega ao Brasil em 1946, capitaneando uma comitiva de artistas plásticos italianos para uma exposição. Na Itália havia cursado o Liceu Artístico de Milão, em 1929, a Academia de Brera, em 1932, e a Escola de Artes Aplicadas de Monza, em 1934.

Convidado a integrar a equipe técnica do Teatro Brasileiro de Comédia, TBC, torna-se assistente de Aldo Calvo, com ele dividindo a autoria dos cenários de Ingenuidade, de Van Druten, dirigido por Madalena Nicol, em 1949, para assumir sozinho a de Antes do Café, de Eugene O’Neill, no mesmo ano.

Na fase inicial da companhia trabalha de modo quase febril, assinando os cenários de Entre Quatro Paredes (Huis Clos), de Jean-Paul Sartre, e Um Pedido de Casamento, de Anton Tchekhov, ambos em parceria com Carlos Giacchieri, espetáculos sob a direção de Adolfo CeliAssim Falou Freud, de Cwojdzinski, dirigido por ZiembinskiA Importância de Ser Prudente, de Oscar Wilde, uma encenação de Luciano Salce; Lembranças de Bertha, de Tennessee Williams; O Anjo de Pedra, do mesmo autor; Do Mundo Nada Se Leva, de George S. Kaufman & Moss Hart; Rachel, de Lourival Gomes Machado, todos no ano de 1950; Paiol Velho, de Abílio Pereira de Almeida; Seis Personagens à Procura de um Autor, de Luigi Pirandello; Convite ao Baile, de Jean Anouilh; O Grilo da Lareira, de Charles Dickens (para a qual faz também os figurinos); Arsênico e Alfazema, de Joseph Kesselring, todos em 1951; Para Onde a Terra Cresce, de Edgard da Rocha Miranda e a Antígone, de Sófocles, em 1952.

A partir do ano seguinte entra para a Companhia Cinematográfica Vera Cruz, na função de cenógrafo, não mais retornando aos palcos. Após a dissolução da companhia assume a carreira de artista plástico, paralelamente desenvolvendo cenários e figurinos para as Companhias Bela Vista e Silveira Sampaio, nesta também trabalhando como iluminador.

Em 1954 torna-se professor de plástica na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, FAU/USP, onde organiza um curso de cenografia. Em seguida, com Aldo Bonadei, Bruno Giorgi, Lothar Charoux e Frans Krajcberg, funda o grupo Oficina de Arte, ODA. Em 1956, muda-se para Ribeirão Preto, onde um ano depois é co-fundador da Escola de Artes Plásticas de Ribeirão Preto.

Na década de 60, é co-fundador do Atelier 1104 e do Centro Experimental de Cinema das Faculdades de Artes Plásticas e do Cineclube. É professor na Faculdade de Artes Plásticas da Unaerp, entre 1966 e 1967. Três anos mais tarde envolve-se com a Escola Movimusicart Educação pela Arte.

O crítico Yan Michalski assim registra sua importância: “Nos seus três anos de atuação como cenógrafo do TBC, Vaccarini tornou-se um dos mais importantes profissionais do seu setor. Seu pleno domínio dos fundamentos técnicos da cenografia – ele sempre cuidou pessoalmente da execução dos seus cenários – permitiu-lhe contribuir decisivamente para a criação de um alto padrão de qualidade em todos os trabalhos desse departamento da companhia. E sua formação de artista plástico o capacitava a empostar com acerto, e em muitos casos com generosa inspiração visual, a definição estilística das suas realizações, quer se tratasse de cenários tradicionalmente realistas. Sobre seu trabalho para Paiol Velho, Décio de Almeida Prado escreveu nunca ter visto em palcos brasileiros ‘tanta veracidade, tanto cuidado com o pormenor’, ou de ambientações surpreendentemente modernas para a época, como as de Seis Personagens à Procura de um Autor“.1

Enciclopédia Itaú de Cultura e Teatro

 

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